Esse é um espaço dedicado a publicação de crônicas sobre esporte, comunicação, política e cultura, focado principalmente na memória. Oportunidade que vejo de compartilhar meus arquivos e acervos com outros pesquisadores, estudantes e interessados.

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Garrincha e Altair, os inventores do fair-play

Que Garrincha era um gênio, driblava e jogava como ninguém, todos sabem. Que era uma pessoa dócil fora de campo, também. Mas o que ninguém imagina é que o Anjo das Pernas Tortas foi o inventor do fair-play, o chamado jogo limpo.

 

 

O que a Fifa prega hoje em dia, o camisa 7 do Botafogo levou a campo já em 1960, num clássico contra o Fluminense em que o zagueiro tricolor Altair foi tão incrível quanto Garrincha. Confira a história com as palavras do genial Ruy Castro em seu livro ‘Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha’.

 

 

“Aos 3 minutos do segundo tempo, numa disputa de bola com Quarentinha, Pinheiro caiu com distensão muscular e a bola sobrou limpa para Garrincha, que ouviu o zagueiro do Flu cair e gritar. Em vez de avançar pela avenida aberta em direção ao gol, jogou a bola de propósito para lateral para que Pinheiro fosse socorrido.

 

 

Nas tribunas do Maracanã, o jornalista Mário Filho, ao ver aquilo, levantou-se da cadeira.
– É o Gandhi do futebol!

 

Mas a beleza do lance ainda não havia terminado. O bandeirinha marcara o lateral a favor do Fluminense. Altair foi repor a bola em jogo e ficou na dúvida. Aquela bola, moralmente, não era do Flu. Então fingiu cobrar errado o lateral e fez a bola quicar de volta para fora, devolvendo-a ao Botafogo.

 

 

Todos entenderam o que ele quis dizer. Tal partida não merecia produzir um perdedor. Talvez por isso tenha terminado 2 x 2″.
Preciso dizer mais?

 

Fonte: O Globo